Cores para daltônicos: designer criador de sistema de identificação esteve na FSG

Aproximadamente 350 milhões de pessoas em todo o mundo não enxergam as cores de forma normal. A principal dificuldade de diferenciação pelos daltônicos está entre as cores verde e vermelho, mas uma parcela também possui problemas com vermelho e preto, verde e laranja, azul e roxo, azul claro e rosa, amarelo e verde claro, amarelo e laranja.

Pensando nesse contingente, o designer português Miguel Neiva resolveu investir na pesquisa e na implementação de um código de identificação de cores que soluciona o problema do daltonismo. Na última sexta-feira, 21 de outubro, Neiva esteve na FSG para falar mais sobre o projeto, o ColorADD, no encerramento da Semana Acadêmica do Centro de Tecnologia e Inovação.

O designer explica que foram oito anos de pesquisa e investigação, onde ele pode perceber as dificuldades e o constrangimento que daltônicos passam no dia a dia. Isso fez com que Neiva compreendesse a importância de um código que servisse a todos, independentemente de formação escolar ou cultural.

– A necessidade de evoluir no projeto surgiu da ideia de usar o Design para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Como funciona?

De acordo com Neiva, o ColorADD utiliza um princípio muito simples de identificação partindo das cores primárias: azul, vermelho e amarelo. Cada uma delas recebeu um símbolo gráfico e para obter as demais cores, da mesma maneira que se faz com os tons, são somados símbolos com símbolos.

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– Cor e forma são os elementos que garantem uma leitura universal. No caso dos daltônicos, como a cor não é percebida, a forma tem que assumir essa função.

O interessante é que o daltônico precisa passar por uma iniciação no código, mas não sai do zero, pois utiliza formas já conhecidas. Ou seja, não é preciso decorar milhares de códigos, como ocorre numa planilha padrão de cores, por exemplo.

Implantação do código

Depois da pesquisa realizada, Neiva entendeu que o código poderia ser implantado e, por isso, os testes começaram em algumas empresas portuguesas que fornecem produtos para diversos países. Atualmente, o sistema já está em mais de 60 países como Brasil, EUA, Canadá, Holanda, Inglaterra e Japão.

O sistema pode ser utilizado em etiquetas de vestuário, sinalização de hospitais, shoppings, embalagens, escolas, semáforos, estacionamentos, entre outros.

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