O Brasil na ONU foi tema de palestra na FSG

A internacionalista Danielle Jacon Ayres Pinto esteve na FSG na noite desta sexta-feira, 2 de outubro, para participar da Semana Acadêmica dos Cursos de Relações Internacionais e Ciência Política. Doutoranda em Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais, professora da Universidade Federal de Santa Maria, Danielle falou sobre os desafios e as perspectivas da inserção do Brasil na Organização das Nações Unidas – ONU.

Desafios

Para Danielle, existem dois principais desafios que se impõem ao Brasil, um macro e um micro, quando o assunto é maior participação na ONU, da qual o país é integrante desde a sua fundação, em 1945.

A questão macro envolve o próprio arcabouço das nações unidas, que se coloca como um desafio não apenas para o Brasil, mas também para outros países integrantes que não sejam os cinco membros permanentes do conselho de segurança (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China).

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– O grande desafio para todos é como participar de maneira mais democrática, igualitária e capaz de produzir ganho, para uma maior quantidade de estados, no processo decisório de ação da organização das nações unidas.

Já o que envolve a questão micro é a construção da política externa brasileira, que, segundo a professora, precisa que seja de estado e não de governo.

– Isso faria com que o Brasil tivesse uma estratégia de médio e longo prazo, com ações que pudessem ser praticadas não só por um único governo e também sem considerar partidos.

Perspectivas

Danielle entende que, no caso da reformulação interna da ONU, as perspectivas não são boas, apesar dos grandes debates dos últimos tempos. Segundo ela, há vontade política, mas a ONU tem dificuldades na questão da autonomia administrativa para realizar mudanças mais profundas.

– Não nos parece que, num futuro próximo, se avizinhe alguma mudança significativa de composição do conselho capaz de atender às demandas geográficas e de participação dos novos estados que surgiram desde a criação da ONU. Eram 51, hoje são 193.

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Para a pesquisadora, na questão da política de estado brasileira, há uma evolução grande nos últimos anos, com a realização de consultas públicas e do livro branco de defesa. Mas, segundo ela, há problemas sérios quando o assunto é a capacidade dos políticos de pensarem em médio e longo prazo.

-Se temos o problema atual, com dificuldades de pensar macro, de pensar em longo prazo, do ponto de vista partidário, do ponto de vista da governabilidade, isso reflete automaticamente na nossa capacidade de ação externa.

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