O mundo dos micro-organismos foi tema da Aula Inaugural dos Cursos de Saúde da FSG

O professor e pesquisador Vlademir Cantarelli foi o palestrante convidado para a Aula Inaugural do Centro de Saúde da FSG, que contou com a presença de alunos ingressantes nos Cursos de Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Terapia Ocupacional. Cantarelli tratou sobre o impacto dos micro-organismos na sociedade, estudos e descobertas recentes da área da microbiologia, além dos perigos das infecções por vírus e bactérias.

Consultor da American Society for Microbiology, o professor Cantarelli explica que atualmente já se compreende melhor o papel dos micro-organismos na saúde das pessoas e não apenas como causadores de doenças. Segundo ele, isso é consequência de uma evolução nas pesquisas relacionadas à microbiologia.

– Primeiro começou-se estudando se os micro-organismos produzem toxinas, depois sua interação com as células do corpo humano e, mais recentemente, o conceito de microbioma, ou seja, todos os micro-organismos que vivem conosco e como nos influenciam.

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O medo dos vírus

No entanto, quando se fala em micro-organismos ainda ocorre muito a associação com vírus, justamente por serem os representantes mais conhecidos da espécie. Por vezes, até se fala em sua capacidade de extermínio da humanidade. De acordo com o professor, que possui doutorado pelo Instituto de Doenças Microbianas, existe o entendimento de que por mais forte que seja uma pandemia virulenta, ela não seria capaz de acabar com a vida humana.

O assunto é bastante propício para a atualidade, onde se discute os efeitos de vírus considerados perigosos como Zika, Chikungunya e Dengue. Cada vez que surgem epidemias ou a possibilidades delas com vírus como esses, liga-se o alerta e acendem-se as discussões sobre a capacidade completa de mortalidade. Também foi o que aconteceu com o HIV e o Ebola, por exemplo.

Embora estes sejam mais conhecidos como vírus mortais, Cantarelli alerta para o Influenza. Segundo o professor, o vírus da gripe é muito eficiente na sua mutação, tem grande potencial para causar surtos de tempos em tempos e não pode ser isolado de maneira prática.

– Se você pensa no Ebola, por exemplo, a transmissão ocorre pelo sangue, então é possível fazer um cerco mais eficiente. Não é o caso das viroses respiratórias, onde a transmissão ocorre pelas secreções, contato físico ou até mesmo aves migratórias.