Saúde: estudantes da FSG buscam desenvolver creme para tratamento de pé diabético

Elaborado por acadêmicas de Biomedicina e Enfermagem e encaminhando-se para fase de testes, produto pode tornar-se alternativa eficaz de baixo custo para a melhora de problemas gerados pela patologia

As Atividades Práticas Supervisionadas da FSG têm resultado em projetos interdisciplinares inovadores e voltados a soluções do dia a dia. Um exemplo é o trabalho realizado por duas acadêmicas dos cursos de Biomedicina, Ângela Antonello Moroni, e de Enfermagem, Eduarda Luiza Rosanelli. Supervisionadas pelo professor Dr. Rodrigo Binkowski de Andrade, elas desenvolvem um creme voltado à prevenção e ao tratamento da doença chamada pé diabético.

A ideia teve origem na observação de Eduarda que, trabalhando em uma farmácia de manipulação, percebeu resultados positivos em pacientes a partir da associação de determinados princípios ativos.

Ângela convive com pessoas que apresentam a patologia e constatou a falta de êxito na utilização dos cremes existentes. Ela verificou que a maioria apresenta alto custo, por ser importada, além de uma melhora pouco significativa, da presença de poucos princípios ativos na fórmula e uma taxa de toxicidade superior.

Projeto

A proposta das estudantes foi elaborar um creme de baixo custo, com princípios ativos obtidos por meios naturais e de eficácia já testada, para auxiliar na melhora dos problemas gerados pela patologia.

Sem contraindicações e com possibilidade mínima de reação alérgica, o produto visa promover nos locais aplicados uma melhor circulação sanguínea, aumento da produção de colágeno e da proliferação celular, além de ampliar a capacidade de retenção de umidade e a aceleração da regeneração da pele lesada.

Com o acompanhamento da farmacêutica Gabriela Gambatto e a partir de ampla pesquisa bibliográfica, foram selecionados os princípios e produzidas amostras do creme. A próxima etapa será a obtenção de autorização, junto ao comitê de ética, para a realização dos testes de avaliação de eficácia, assim como a busca pelas condições e a estrutura de biotério, necessárias para realizá-los.

– Queremos dar continuidade ao projeto a fim de ajudar as pessoas. O resultado promete ser muito melhor do que esperávamos, indo além do cumprimento dos objetivos esperados – conta Ângela.

Biomédico e doutor em bioquímica, o professor Rodrigo considera que, embora os experimentos para a comprovação de eficácia e elucidação dos princípios ativos do creme estejam no início, suas perspectivas para o mercado são enormes. Isso, visto que as complicações do quadro clínico são problemáticas, incluindo infecção, má cicatrização e possibilidade de amputação.

Pé diabético

As acadêmicas explicam que, conforme definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), o pé diabético consiste em uma condição na qual a pessoa com diabetes apresenta infecção, ulceração ou destruição dos tecidos profundos, associadas a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica nos membros inferiores.